Sem Censura





10/08/2006 03:46

PCC, O PREÇO.

O Brasil acordou assustado para a realidade: estava em chamas.
Uma guerra civil, sem ideologia, explodira. Um exército chamado PCC matava, incendiava, destruía prédios públicos, ridicularizava instituições, dominava pontos estratégicos, dava ordens, cornetava toques de recolher. Fez parar uma cidade que nunca parava. Imobilizou o Estado que é locomotiva. Aterrorizou a Nação.
Ninguém entendia nada. Os teóricos de plantão falavam tudo
e diziam nada. Um marginal que citava filósofos e lera 3 mil livros, da sua cela solitária comandava, como um Napoleão
ou São Jorge Guerreiro, milimétricas ações.
Um Ministro, de olhar espantado, oferecia tropas.
Um Governador, de sobrancelhas arrepiadas e voz inaudível, rejeitava. E o fogo queimando, gente morrendo, o pânico alastrando. Era o caos, o inferno.
Tem explicação? Tem. O marginal, em seu estado bruto,
é um dependente.
Tem profundo sentimento de hierarquia.
Teme e respeita a polícia.
Não se insubordina contra a prisão.
Compreende e aceita sua situação.
Mas, no instante em que, ao contrário de levar porrada,
é forçado a dar dinheiro, dividir o produto do crime
e disponibilizar o sexo da mulher, namorada ou amante,
inverte radicalmente as posições: assume o controle,
dá ordens, negocia, faz ameaças, demonstra força,
lidera e infunde respeito aos do Estado.
Cria seu grupo. Associa-se a outros.
Demarca territórios.
Instala uma central de comando ainda que esteja solitário. Determina ações. Administra aplicações do dinheiro.
Sabendo a cotação das drogas, sabe onde e quando comprar,
onde e quando vender. Tem domínio total sobre os comandados. Tornou-se importante. Garante votos. Garante dinheiro.
Garante sexo. Ordem sua, ordem cumprida.
O aparelho estatal, profissionalizou o marginal.
Tirou-o do anonimato e lhe deu status.
Pior que isso, tornou-se seu sócio.
Outra explicação, também é de viés estatal: a LEP, a famigerada Lei de Execuções Penais. Nenhum brasileiro honesto, trabalhador, religioso, pai-de-família honrado e contribuinte fiel,
tem tantos direitos assegurados como desfruta o pior dos bandidos. Um acinte à inteligência.
Um deboche à mulher, ao homem, ao jovem que trabalham.
Um desrespeito ao que, com extrema dificuldade,
paga todos impostos e que, do Estado, recebe absolutamente
nada em retorno. A não ser a humilhação de intermináveis filas, bocejantes funcionários, dezenas de documentos que nunca estão completos e uma burocracia que leva ao hospício.
Essa LEP é a demoníaca bigorna onde se moldam os piores bandidos.
A coisa mais burra produzida pela “bendita” cabeça dos jubilados pensadores do Direito. Nem em piedoso asilo há tanta ternura
e cuidados.
Coincidência ou não, uma das odiosas explicações está na lama putrefata dos escândalos políticos e a deslavada impunidade. Parece que não, mas se a eles, os do colarinho branco, regiamente pagos com o suado dinheiro dos nossos impostos, nada acontece,
por que ao bandido, homem comum, inculto, normalmente da favela, deveria suceder a prisão? Raciocínio simplista?! Absolutamente, não! A quebra da ética administrativa e o debochado assalto ao erário, atingem em cheio a mentalidade marginal. Basta comparar:
a cada escândalo palaciano, uma nova escalada criminosa.
Não que seja ato de repúdio de algum cinematográfico
bandido-romântico. Apenas estímulo à sua bem nutrida índole criminosa. E no crime, como em todos outros segmentos sociais,
a vaidade impera.
Quanto maior o golpe, mais a mídia enfoca o deputado,
senador ou presidente.
Quanto mais mirabolante o assalto, mais notoriedade pelo jornal, televisão e rádio, elevando a cotação do bandido, permitindo-lhe ascensão em seu meio. Isso, para ele, é prestígio, segurança
e lucro.
Afinal, seja à margem do Paranoá, ou no equilibrante barraco
da favela, a argila é uma só.
Os atos da atual guerrilha do PCC são, portanto, o somatório
de vários fenômenos: uma Lei ingênua e adocicada que agasalha facínoras como se fossem querubins; uma corrupção endêmica
e a conseqüente impunidade; a decadência moral do País,
sobretudo, nas Casas que fabricam leis...e as desprezam...

Arnaldo Romano






enviada por Vivian






Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)